Síndrome dos OVÁRIOS POLICÍSTICOS

Categoria: Notícias | Data: 06.05.2026
Síndrome dos OVÁRIOS POLICÍSTICOS

A fisiopatologia da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é complexa porque envolve uma interação entre:

  • genética;
  • resistência insulínica;
  • hiperinsulinemia;
  • disfunção hipotalâmico-hipofisária;
  • excesso androgênico;
  • inflamação crônica;
  • alterações ovarianas.

Não existe uma única causa. A SOP é uma síndrome multifatorial.

VISÃO GERAL DA FISIOPATOLOGIA

O núcleo fisiopatológico da SOP gira em torno de 3 grandes eixos:

  1. HIPERANDROGENISMO

(excesso de hormônios masculinos )

  1. RESISTÊNCIA INSULÍNICA / HIPERINSULINEMIA
  2. DISFUNÇÃO OVULATÓRIA

Esses três mecanismos se alimentam mutuamente formando um círculo vicioso.

 

  1. ALTERAÇÃO DO EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-OVÁRIO

Normalmente:

  • o hipotálamo libera GnRH em pulsos;
  • a hipófise responde produzindo:
    • LH
    • FSH.

Na SOP ocorre:

Aumento da frequência pulsátil do GnRH

Isso leva a:  aumento preferencial de LH,  redução relativa de FSH.

Resultado:  relação LH/FSH aumentada.

CONSEQUÊNCIA OVARIANA

O LH elevado estimula as células da teca ovariana a produzirem:

  • testosterona;
  • androstenediona.

Então ocorre: HIPERANDROGENISMO OVARIANO

Isso gera: acne,  oleosidade, hirsutismo,  alopecia androgenética, bloqueio da ovulação.

  1. RESISTÊNCIA INSULÍNICA: O GRANDE MOTOR METABÓLICO

Grande parte das pacientes apresenta:

  • resistência periférica à insulina;
  • especialmente em: músculo fígado, tecido adiposo.

O organismo então compensa produzindo mais insulina.

Resultado: HIPERINSULINEMIA

A insulina elevada é peça-chave da SOP.

O QUE A INSULINA FAZ NA SOP

  1. A) Estimula o ovário a produzir mais andrógenos

A insulina potencializa o efeito do LH nas células da teca.

Então: mais testosterona, mais androstenediona.

  1. B) Reduz a produção hepática de SHBG

A SHBG é a proteína que “carrega” testosterona no sangue.

Quando a SHBG cai:

  • aumenta testosterona livre;
  • aumenta atividade androgênica.

Resultado: piora clínica importante.

RESUMO DESSE EIXO

Resistência insulínica → hiperinsulinemia → aumento androgênico →anovulação → SOP

  1. FALHA NO DESENVOLVIMENTO FOLICULAR

O excesso androgênico impede maturação adequada dos folículos.

Então o folículo inicia crescimento, mas não completa maturação não ocorrendo  ovulação adequada.

Os folículos ficam “parados”.

No ultrassom aparecem:

  • múltiplos pequenos folículos periféricos.

Daí o aspecto:

“ovário policístico”

Importante: não são “cistos verdadeiros”. São folículos antrais interrompidos.

 

  1. INFLAMAÇÃO CRÔNICA DE BAIXO GRAU

Hoje sabe-se que a SOP também possui:

  • inflamação metabólica crônica;
  • aumento de citocinas inflamatórias;
  • estresse oxidativo.

Isso piora: resistência insulínica, disfunção endotelial, risco cardiovascular.

 

  1. TECIDO ADIPOSO COMO ÓRGÃO ENDÓCRINO

A gordura visceral participa fortemente da SOP.

O tecido adiposo: produz citocinas, altera adipocinas, aumenta aromatização hormonal, mplifica resistência insulínica.

Por isso obesidade visceral agrava muito a SOP.

Mas atenção: SOP também ocorre em mulheres magras.

MECANISMO DO HIPERANDROGENISMO

Ovário Produz: testosterona,  androstenediona.

Adrenal: Pode contribuir com DHEA-S, andrógenos adrenais.

Por isso algumas pacientes possuem: fenótipo mais adrenal; acne intensa; aumento importante de DHEA-S.

POR QUE A MENSTRUAÇÃO FALHA?

Sem ovulação: não há corpo lúteo, progesterona fica baixa endométrio sofre estímulo estrogênico irregular.

Consequências: ciclos longos, amenorreia, sangramento irregular, infertilidade.

 

O PAPEL DO AMH ( Hormonio Mulleriano)

Na SOP: há excesso de pequenos folículos, células da granulosa produzem mais AMH.

Então: AMH frequentemente elevado.

O AMH alto: reduz recrutamento folicular, perpetua anovulação.

VISÃO MODERNA DA SOP Antigamente: “doença ginecológica dos ovários”.

Hoje: síndrome metabólico-endócrino-inflamatória sistêmica.

CONSEQUÊNCIAS A LONGO PRAZO

Metabólicas: diabetes tipo 2, síndrome metabólica, esteatose hepática.

Cardiovasculares: hipertensão, aterosclerose precoce, disfunção endotelial.

Reprodutivas: infertilidade, abortamento.

Oncológicas: Maior risco de hiperplasia endometrial,  câncer endometrial.

RESUMO FINAL DA FISIOPATOLOGIA

Genética + ambiente →Resistência insulínica → hiperinsulinemia →

aumento androgênico → anovulação →

múltiplos folículos interrompidos → SOP e simultaneamente:

inflamação + adiposidade visceral + disfunção neuroendócrina

alimentam todo o processo.

 

BIBLIOGRAFIA :

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McPHERSON, R.; PINCUS, M. Henry's Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods. Philadelphia: Elsevier.

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